A Paraíba segue empenhada para transformar o forró como patrimônio imaterial da humanidade, um pleito em que o Estado é signatário junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e que deve ser formalmente encaminhado em breve para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Na tarde desta sexta-feira (23), o secretário de Estado da Cultura da Paraíba, Pedro Santos, e a sua colega pernambucana, Cacau de Paula, se reuniram em Paris com integrantes da Delegação Permanente do Brasil junto à Unesco para discutir a questão.
Essa foi a segunda vez que os dois secretários se encontraram com a representação brasileira na Unesco e, na oportunidade, Pedro explicou que a proposta encabeçada pela Paraíba já conta com o apoio formal de todos os nove estados do Nordeste e também de Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Distrito Federal e Acre. A próxima etapa agora, que já está em curso, é auxiliar o Iphan na produção do dossiê que deverá ser enviado à entidade da ONU, justamente com o objetivo de formalizar o pedido.
“Os dez anos de trabalho que tivemos para transformar o forró como patrimônio imaterial nacional estão servindo agora como base para essa reivindicação junto à Unesco. Para transformar o forró, desta vez, em patrimônio imaterial da humanidade”, pontuou.
Pedro disse também que o forró é um ritmo, uma dança, uma cultura, uma marca identitária que dialoga muito fortemente com o Nordeste e que tem um forte apelo às relações interpessoais. “De alguma forma, as pessoas se identificam muito fortemente com o forró. Porque o forró traz essa dimensão do contato, do abraço, do aconchego, do encontro”, completou.
Durante a conversa, inclusive, o projeto capitaneado pelo Governo do Estado foi muito elogiado por Paula Alves de Souza, embaixadora da Delegação Permanente do Brasil junto à Unesco. Ela tirou algumas dúvidas sobre como o dossiê deve ser produzido, mas destacou a seriedade do projeto até aqui.
“Eu fiquei muito bem impressionada com o que vocês me apresentaram. É muito legal ver vocês amadurecidos, tratando a candidatura de forma muito profissional, sem improvisar, sem julgar que é fácil. Porque é um desafio, mas um desafio que vocês demonstram estar preparados. Estão com um discurso muito bem feito”, elogiou.
Paula Alves explicou ainda que o momento é promissor para a apresentação da candidatura e estimulou que ela de fato seja oficializada nos próximos meses. “Esse é um pleito super interessante, e a gente percebe que esse é o momento de vocês. Se preparem, porque é uma boa oportunidade. Vocês estão mais adiantados e mais organizados do que outras propostas que foram ventiladas por outros entes públicos”, destacou.
Ela ponderou ainda que a música, e nesse contexto específico o forró, tem a riqueza adicional de colocar a língua portuguesa em evidência, o que torna o pleito relevante para os interesses brasileiros junto à Unesco. “O forró tem esse elemento adicional de colocar a língua portuguesa em evidência na nossa cultura”.
Cacau de Paula, ademais, que é secretária de Cultura de Pernambuco e que apoia a proposta, enfatizou outros elementos da cultura nordestina com que o forró tem o poder de dialogar, algo que para ela dá ainda mais peso à proposta.
“O forró serve para apresentar também a gastronomia, a roupa, as tradições de uma região. São muitos os movimentos que surgem a partir do forró”, resumiu.





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